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A Semana da Mobilidade 2021 e a Saúde Mental

A Semana da Mobilidade 2021 e a Saúde Mental

A saúde mental é um dos principais tópicos da Semana da Mobilidade deste ano e enfatiza um aspeto que normalmente é negligenciado: o facto de os transportes afetarem diretamente a saúde mental e o bem-estar de todos.

Diversos estudos já comprovaram que os transportes e a mobilidade possibilitam o relacionamento com pessoas, o acesso a oportunidades de variadas vertentes (educacionais, profissionais, culturais), permitem a socialização e exercitação das camadas mais idosas da população e combatem ativamente o sentimento de solidão. E agora novos estudos revelam que a mobilidade de curta duração traz vantagens para o bem-estar humano e a de longa duração, entre 60 e 90 minutos, provoca os piores resultados na saúde mental.

Um outro fator beneficiador da saúde mental mencionado nestes estudos consiste na mobilidade ativa. Está comprovado que, para além de benéfica para a saúde física, reduz a depressão, o stress, a fadiga, a ansiedade e melhora a qualidade do sono (resultados verificados para 30 minutos de caminhada ou bicicleta por dia). Consequentemente cidades com melhores acessos para caminhar e circular de bicicleta (ou qualquer mobilidade similar que implique exercício físico) estão intimamente relacionadas com maior felicidade e saúde, níveis educacionais e económicos mais estáveis, assim como à criação de um sentido de pertença e comunidade mais forte.

Por outro lado, dois fatores associados à mobilidade e negativamente relacionados com a saúde mental consistem no ruído e na poluição atmosférica. A exposição a ruído considerado excessivo pode ser a causa de distúrbios de sono, irritabilidade e dificuldade em socializar, e a concentração de poluentes atmosféricos, nomeadamente partículas e óxidos nítricos, foram associadas a uma fraca saúde mental, tendo sido comprovado que provocam e agudizam estados de depressão.

As cidades e os seus governantes possuem autonomia para implementar medidas que auxiliem a melhorar a saúde mental dos seus habitantes. Eis algumas sugestões apresentadas no dossier Thematic Guidelines – European Mobility Week 2021:

- criar espaço – a mobilidade deve ser retirada aos veículos e facilitada às pessoas, podem ser criadas ecopistas, algumas ruas podem ser encerradas em certos dias da semana, espaços verdes e ginásios ao ar livre podem ser criados para encorajar os habitantes a saírem à rua e desfrutarem da sua cidade livremente, a pé, de bicicleta ou meios similares.

- proporcionar serviços em raios de 15 minutos a pé ou de bicicleta – as cidades devem procurar responder a todas as necessidades dos cidadãos em quarteirões. Desta forma os habitantes são convidados a realizar as suas compras e tarefas na proximidade da sua habitação, o que convida à verdadeira mobilidade ativa e consequentemente sustentável.

- reduzir ativamente a poluição atmosférica e o ruído do tráfego – alguns dos exemplos já implementados em algumas cidades consistem na: redução do limite da velocidade nas vias de circulação mais próximas das zonas residenciais, construção de barreiras à propagação do som, criação de zonas pedonais e ecopistas, encerramento total ou parcial de ruas ao tráfego, substituição dos transportes coletivos por semelhantes não poluentes.

Comprova-se assim que a mobilidade se encontra intimamente relacionada com a saúde mental dos cidadãos dela utilizadores, e as cidades e seus governantes possuem um papel fundamental na construção e design de zonas urbanas adequadas a um futuro mais saudável e sustentável para todos.