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A Semana da Mobilidade 2021, a Saúde Física e a Segurança

A Semana da Mobilidade 2021, a Saúde Física e a Segurança

A promoção da saúde física encontra-se desde sempre associada à Semana da Mobilidade e é encarada como uma componente chave para a verdadeira mobilidade urbana.

Um dos fatores associado à mobilidade, e que mais afeta negativamente a saúde, é a poluição atmosférica. Os últimos dados revelados pela Organização Mundial da Saúde comprovam que, apesar de terem diminuído nas últimas três décadas, ainda ocorrem 376.000 mortes prematuras anuais devido à poluição.

Neste sentido a redução da poluição nas cidades deve representar uma prioridade para os seus governantes e a forma como a concretizam deve depender da tipologia da cidade, dos recursos e alternativas que possui e quais os seus planos para o futuro. Algumas das medidas poderão ser semelhantes às já mencionadas como: o encerramento total ou parcial de ruas, alteração de regras de parqueamento para automóveis, permissão de entrada no centro da cidade apenas para veículos com emissões poluentes inexistentes ou reduzidas e criação de ecopistas.

Um fator positivo para a saúde física consiste na mobilidade ativa. Um estudo recente revelou que cidadãos que utilizam a bicicleta para as suas deslocações apresentam menos 46% de probabilidade de desenvolver uma doença cardíaca e 45% menos probabilidade de desenvolver uma doença oncológica.

Este tipo de mobilidade deve ser encorajado através da criação e manutenção de espaços verdes amplos que possibilitem a realização de atividades de exercício físico que, no caso de possuírem árvores e arbustos, ainda eliminam dióxido de carbono da atmosfera, potenciam a biodiversidade e promovem a criação de sombras que auxiliam a reduzir o calor acumulado na cidade pelas vias em asfalto e edifícios.

Incentivos diretos à mobilidade ativa e sustentável podem ainda ser aplicados diretamente ao cidadão, como por exemplos: uma redução de impostos associada à escolha de um meio de mobilidade que não o veículo automóvel, ou a aplicação de um desconto ou reembolso aquando da compra de meios de mobilidade alternativos.

Contudo não é possível alcançar uma mobilidade ativa e sustentável sem a completa regulamentação para circulação de todos os meios alternativos de mobilidade, a garantia de segurança rodoviária e a adequação das vias a cidadãos com mobilidade reduzida. Medidas como o estabelecimento de velocidades máximas, proibição de circulação no passeio a todos os meios alternativos de mobilidade, controlo efetivo sobre a utilização desses mesmos meios por cidadãos sem preparação ou estado físico adequado, estabelecimento de pavimentos adequados e corretamente conservados nas ecopistas e ciclovias, adequada sinalização e máxima informação em vários formatos (escrita, braille e áudio) para todos os utilizadores (Thematic Guidelines – European Mobility Week 2021).

Muito caminho ainda há a percorrer, mas com o aumento considerável na utilização de meios alternativos de mobilidade que se tem verificado, não há tempo a perder. As cidades devem avançar com planos de adaptação a mobilidade sustentável e ativa o quanto antes, e os seus habitantes devem privilegiar, sempre que possível, meios alternativos de mobilidade e pressionar os seus governantes a cumprir os planos de adaptação rapidamente.

Porque a mobilidade é parte fundamental da economia de uma cidade e de um futuro sustentável.